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Exercício Clínico 07-07-2017
A mudança das políticas sociais, nas últimas décadas, e a transformação da legislação para indivíduos com deficiências intelectuais despoletaram a sua gradual desinstitucionalização, sendo cada vez maior a probabilidade de um Médico Dentista receber este tipo de pacientes no seu consultório. Ainda assim, poucos são os profissionais devidamente preparados para o atendimento médico-dentário destes pacientes, acusando não só a falta de experiência clínica, como a falta de formação e de recursos técnicos adequados.
Os pacientes com deficiência mental deveriam receber o mesmo tipo e qualidade de cuidados médico-dentários que a restante população, no entanto isso não acontece. Além das barreiras físicas e das atitudes dos familiares destes pacientes, as atitudes dos Médicos Dentistas, bem como a sua falta de formação, limitam o acesso a cuidados de saúde oral apropriados.
A limitada experiência no tratamento de pacientes com deficiência mental faz com que estes profissionais sejam os primeiros a evitar ou mesmo a recusar o seu atendimento. A insegurança e o pouco à-vontade que sentem são, assim, fruto da ausência de conhecimentos especializados na área.
A solução passa, por isso, pelo aumento da formação e treino, através da criação e implementação de programas específicos, orientados exclusivamente para o fornecimento de técnicas que ajudem o Médico Dentista a prestar cuidados de saúde individualizados.
Se a formação académica pós licenciatura se torna importante nesta área, tão ou mais importante é a recebida a nível universitário. A sensibilização para as condicionantes destes pacientes e para o desenvolvimento de atitudes positivas no seu atendimento começa, desde logo, a nível dos estudantes de Medicina Dentária.
Por tudo isto, a assistência médico-dentária do paciente com deficiência mental necessita de incentivo, com a finalidade de somar esforços e aglutinar recursos, como parte do empenho global de todos os envolvidos. Um empenho que envolve aspectos técnicos, como o acesso a formação especializada na área; sociais, através da sensibilização dos profissionais para o problema e, por fim, económicos, sob a forma do investimento que tal situação exige.